quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

É já neste sábado!

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E depois do adeus

Maria do Carmo Borges anunciou que não continuará no cargo de governadora civil da Guarda. Irá assim permanecer em funções unicamente até ser nomeado novo titular. Esta sua decisão encerra um significado óbvio. O de que irá, muito provavalmente, abandonar a vida política activa. Muitas leituras e apreciações se têm feito acerca do seu desempenho público, sobretudo enquanto presidente da Câmara. Pessoalmente, só conheci de perto o seu último mandato, entre 2001 e 2005. Durante esse período, quer pelo que lia na imprensa, quer por algumas reuniões que mantive com a então presidente, quando dirigia o Aquilo Teatro, sempre tive uma boa impressão de MCB. Sobretudo pela forma directa e voluntariosa como abordava as questões discutidas. Significa isto que uma impressão pessoal favorável, de pendor subjectivo, pode ser transposta para uma apreciação de cariz político? Não necessariamente. Creio até que o seu consulado autárquico será lembrado como a máquina que prolongou a agonia terminal da época desastrosa de Abílio Curto. Não por acção, mas sobretudo por omissão. Não pela forma, mas pelo conteúdo. Não pelo dolo, mas pela negligência. Deixou que a inércia dos hábitos nocivos se sobrepusesse ao reformismo prudente, mas firme. MCB não desligou pois a máquina, numa altura em que a eutanásia política era a única solução para a Guarda. E teve tempo e legitimidade para o fazer. Os resultados viram-se: pré-falência técnica da Câmara, cedência aos pequenos poderes instalados na autarquia e adjacências, má gestão dos temas fortes da agenda política guardense (novo hospital, CTT, fecho da VICEG, só para dar alguns exemplos). Claro que nem tudo foi negativo. Bem pelo contrário. Do outro lado da balança invoco a construção de equipamentos públicos como as piscinas, a remodelação do estádio e do parque municipais, a comparticipação na construção do Teatro Municipal, a criação da Culturguarda, entidade gestora dos equipamentos culturais do concelho, o apoio às entidades associativas, requalificação urbana em vários pontos da cidade, etc. É de realçar o facto de ter apoiado sem hesitações a actividade cultural, nas suas várias vertentes, ajudando a projectar a cidade nesse campo de forma ímpar. Claro que é defensável a opinião de que utilizou a cultura como bandeira de conveniência. Mas é caso para dizer que, neste caso, os fins justificam os meios. Só por isso, valerá a pena estar grato a MCB.
Como nota final, tudo indica que o senhor que se segue na cadeira de governador ainda é uma incógnita. No entanto, aceitam-se apostas múltiplas numa tripla...

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quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Minimamente

foto de ensaio de Armando Neves/TMG

"Minimamente" tem estreia marcada no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda. Será neste sábado, pelas 21h30. A interpretação estará a cargo de Agostinho da Silva, Albino Bárbara, Carlos Lopes, Cristina Fernandes, Filipa Teixeira, Daniel Rocha e deste vosso criado. O apoio à encenação é de Américo Rodrigues e a sonoplastia é de Victor Afonso.
1. O espectáculo. "Minimamente" foi construído a partir de "Histórias Mínimas", do dramaturgo catalão Javier Tomeo. Trata-se de um conjunto de 44 micro histórias desconcertantes, cuja primeira edição é de 1988. São crianças que partem a lua à pedrada, barbeiros que degolam os seus clientes, leões com dentadura postiça, oceanos que cabem numa garrafa, esqueletos que conversam no cemitério, estrelas que se apagam com um sopro. Ou seja, brevíssimas pinceladas escritas com um humor transbordante, com finura, onde o quotidiano se torna uma amostra do absurdo e vice versa. A peça pretende reproduzir este clima, onde as convenções da própria ficção não resistem à derisão de um humor cáustico e arguto. A encenação é atípica, ou seja, colectiva, embora orientada por Américo Rodrigues. Como curiosidade, esta foi também a peça escolhida para a estreia do grupo "“As boas raparigas vão para o céu, as más a todo o lado”, no início dos anos 90.
2. O grupo. Tintinolho é um cume sobranceiro ao vale do Mondego, a 4 Km da Guarda, onde existiu um importante castro, ocupado desde a Idade do ferro até à Alta Idade Média e cujos vestígios do imponente recinto muralhado ainda hoje são visíveis à distância. "Tintinolho" foi a designação escolhida para um projecto que reúne um conjunto de amantes do teatro, cujo primeiro objectivo foi levar à cena esta produção colectiva. A experiência teatral dos participantes é a mais diversa. O que não impediu, bem pelo contrário, que esta aventura fosse levada a bom termo. Para já, assenta-lhe bem a designação "grupo informal", ou "projecto". "Companhia" logo se verá...
3. Finale andante. O que posso dizer da minha experiência nesta aventura artística? Em certos momentos, encontrei os meus personagens pelo rasto que deixavam numa paisagem deserta. Era um olfacto canino que os reconstituía e uma memória audaciosa que os colocava no seu lugar provisório. Numa das suas faces, o teatro parte desta brancura imaculada do momento zero, do instante fundador. Uma economia profundamente humana, onde perscruto os meus personagens. Suspensos. Hesitantes. Amantes da música. Prisioneiros da cor do pormenor. Da vida derramada como aguarela num descampado. Onde os faço banhar numa bruma verbal delicadamente irisada. Seres encantadores e ineficazes. Criaturas bizantinas e patéticas. Idealistas inúteis. Sedutores por tédio. Heróis detentores de uma bela verdade humana. Fardo esse que não podem carregar nem evitar carregar. São personagens que tropeçam. Que tropeçam porque olham para as estrelas. Enquanto caminham. Que podiam sonhar, mas não governar.

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Imagens da Guarda

Centro histórico

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terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Sopa da pedra

Sou espectador assíduo do programa Ponto/Contraponto, na SIC Notícias. Um emissão onde Pacheco Pereira tem oportunidade de se debruçar em pormenor sobre vários exemplos de mau jornalismo. E de como isso ilustra a falta de pluralidade e de isenção na informação. JPP é aqui, com toda a propriedade, uma espécie de provedor do cidadão, no que aos media diz respeito. E o programa é claramente um exemplo de serviço público. Ora, os baixos níveis de qualidade da maioria do jornalismo que se pratica no nosso país aferem-se, sobretudo, no tipo de tratamento dado aos temas de 1ª página. Mas nem por isso o tipo de apresentação das notícias "menores" deixará de definir também um quadro clínico de negligência e falta de rigor. Muitas vezes, é mesmo através do pormenor que se detectam os principais sintomas.
E é precisamente de um exemplo desses que hoje irei falar. Recentemente, numa emissão da RDP Centro dedicada à respectiva área de cobertura, a seguir ao noticiário das 13h00, um jornalista dessa emissora apresentava o "X Festival de Sopas da Serra da Estrela", em S. Paio, Gouveia. Claro que se não andasse com uma dieta semi-rigorosa às costas, tinha lá dado um pulo, mas a questão não é essa. Em termos globais, se abstrairmos do indiscutível mérito da ideia e da qualidade evidenciada, o facto em si não passa de mais uma iniciativa de promoção local. Todavia, o tratamento dado por esse jornalista foi desastroso. Após a descrição inicial, com aquele à vontade de quem associa uma mostra gastronómica a uma quermesse de feira, informou o auditório indígena que os que ali acorriam estavam (sic) "sequiosos de comer"!!! Sequiosos? Mas de comer o quê? As sopas, presumo! Confesso que, em termos semânticos, é complicado definir a apetência segregada no hipotálamo por uma sopa. Será sede? Será fome? Será uma sede que não chega a ser fome? Será uma fome envergonhada, mascarada de sede? Ou antes uma irreprimível necessidade de um aconchego da alma, por via do estômago, sem demasiado comprometimento? É de supôr que todas estas visões contraditórias passaram pela cabeça do jornalista. Se tal ocorreu depois de uma prova das sopas, é de supôr igualmente que o paradoxo se transmutou, adquirindo as propriedades do puro disparate. Se foi antes, é de acatar a hipótese de o jornalista pré-comensal ter ficado à mercê do trocadilho semântico de ocasião. Ou seja, o pau para toda a colher dos preguiçosos. E a ocasião produziu um magnífico oxímoro (figura de estilo que consiste numa contradição muito intensa e cujo significado é aparentemente absurdo). Vejamos então a definição para "sequioso" no Dicionário Priberam de Língua Portuguesa: 1. Sedento, ávido de água. 2. Seco em extremo, falto de água. 3. Fig. Sedento; ávido; muito desejoso. Como se depreende, o elemento chave é a falta de água. A qual, no limite, também pode ser a metáfora para outros apetites. Que inclui, ora aí está, o apetite de comer, perdoem-me o recurso estilístico. Portanto, não é de descartar a possibilidade de o jornalista, alucinado com os aromas de uma sopa de beldroegas, ter efectuado um trajecto linguístico singular, bizarro mesmo. Ou seja, o percurso que vai de um oxímoro a um simples pleonasmo.
Mais à frente, o jornalista entrevista alguns transeuntes. A páginas tantas, questiona um jovem sobre "o que é que andava ali a fazer"!!! Isto na suposição, presume-se, de que o jovem pudesse ser um ET, um adepto de uma claque de futebol em vilegiatura serrana, ou um pré-delinquente a quem foi dado o devido "correctivo das sopinhas". O mencionado jovem respondeu, sensatamente, que vinha "experimentar umas sopas". "Sopas?!", zuniu o jornalista. "Então vocês não gostam mais de bifes e assim?", acrescentou. Claro que a luminária queria dizer hambúrgueres. Claro que o perguntante estava surpreendido por causa de o jovem estar ali, "normalmente", e não num estabelecimento de fast food a empaturrar-se de toxinas, ou a fumar um charro, ou a insuceder na escola, ou a jogar ao braço de ferro com um professor numa sala de aula, com um telemóvel de permeio. Claro que esses clichés (temos que chamar as coisas pelos nomes), alimentados em grande parte pelos media, são de tal forma irresistíveis que o nosso jornalista não evitou sucumbir diante deles. Imaginemos que diante da sopa. Precisamente.

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domingo, 1 de Novembro de 2009

A minha primeira cache


Parece coisa de escuteiros, mas não é. Acreditem que é mesmo divertido. Vão até á página do geocaching, ou aqui, em português, e percebam como o jogo funciona. Na Guarda e redondezas já há, pelo menos, oito "tesouros" à espera de serem "descobertos".

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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Cinema ambulatório


O principal objectivo ciclo “Curtas em Flagrante" é tornar possível a troca de experiências e dar oportunidades de divulgação dos trabalhos de tantos jovens, que estão agora a iniciar a sua carreira no mundo do audiovisual.
O Elemento Indesejado é uma associação cultural recente, cujos principais objectivos são a divulgação e formação cultural e artística. Até ao momento tem sido a área do audiovisual a que mais tem explorado. Com um workshop de vídeo, a decorrer no âmbito do F.A.T.A.L. - Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa - e responsável por toda a cobertura audiovisual do mesmo. Está também a organizar um conjunto de workshops na área das artes digitais, e funciona como um grupo de criação audiovisual com produção própria. Com este evento, pretende actuar como uma rampa de lançamento de novos artistas e divulgar a criação audiovisual que é feita no nosso país.

- Café Concerto do TMG, sexta-feira, pelas 23 00h

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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Imagens da Guarda

Vale do Mondego

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domingo, 18 de Outubro de 2009

O paraquedismo como uma das belas artes

Francisco Assis será o novo líder parlamentar do PS
O deputado Francisco Assis vai substituir Alberto Martins na liderança da bancada do PS. Regressado de cinco anos no Parlamento Europeu, Assis repete assim as funções que já desempenhou durante os governos de António Guterres. O nome será anunciado pelo secretário-geral socialista, José Sócrates, numa reunião com os deputados agendada para as 12.30. Francisco Assis irá depois a votos no grupo parlamentar.
Fonte: DN online

Vou tentar reconstituir a trajectória estonteante do deputado: Assis veio da gamela de Estrasburgo. Fez escala no Porto, para reabastecimento. Passou de rompante pela Guarda, lançado a grande altitude, onde convenceu algumas almas enternecidas a votarem nele. E chegou finalmente ao seu destino, como se comprova na notícia. A nomeação é a merecida "ajuda de custo" pelas duas ou três deslocações à Guarda (que maçada!). Entretanto, jurou a pés juntos que o centro da sua vida política seria no Porto. Então, nesse caso, porque não aproveitar a oportunidade para testar as virtualidades do "choque tecnológico"! Muito simples: comunicando o novo líder parlamentar com os seus pares em S. Bento, a partir da Invicta, através do "Skype", ou em sistema de videoconferência!... Agora pergunto: no meio desta dança de sinecuras, o que ganhou a Guarda? O que vai ganhar? Vale aqui o supremo acerto do adágio de Bernard Shaw (injustamente ofuscado pelo outro, mais célebre, de Churchill): a democracia é o sistema pelo qual garantimos ser governados como merecemos.

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quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Vida nova

Falta então uma leitura política das eleições na Guarda. Tão breve quanto a inconveniência de pisar o mesmo chão que já foi pisado e repisado. E menos estrondosa do que um motoqueiro a jogar Metal Gear Solid num open space.
Quanto às sondagens, houve de tudo. Desde o simples disparate estatístico, até ao delírio de quem se julga com dons proféticos. No entanto, todas acertaram numa coisa: Valente iria ganhar. Previsão que nada, mas mesmo nada, tem de original. Era clarinho como água. Ou então, como é habitual dizer-se, "até um ceguinho... aetecetera e tal..." Para quem tivesse dúvidas, havia ainda o recurso aos serviços do Prof. Karamba. Ou, então, pedir um conselho à Maitê Proença. Os mais exigentes poderiam mesmo ir à Grécia ouvir os deuses. Diante dos consulentes, a Pitonisa de Delfos nem sequer se daria ao trabalho de iniciar os trabalhos de adivinhação. "Vão de volta para a Oppidana, pois o Valentix vai ganhar os Jogos deste ano. Crespvs não tem hipótese. Vá, tomem umas "coisinhas" para a viagem, umas sementinhas p'ra rir." E assim foi.
Deixemos agora o tom humorístico e passemos aos resultados. Em relação a 2005, a lista de Valente obteve mais 3% e a de Crespo menos 5% dos votos. O que chegou para o PS roubar um vereador ao PSD e assim reforçar a maioria (5/2). Como curiosidade, o PCTP/MRPP teve mais 20 votos. Obra do divino espírito santo, sem dúvida. Para a Assembleia Municipal, o PS teve mais um mandato e o PSD menos dois, indo o outro para o BE, que ficou com dois. Nas Juntas de Freguesia, o PS conseguiu mais 8 mandatos e o PSD menos 36. Destaque para o reforço das candidaturas independentes, que obtiveram mais 12 lugares.
Estes são os números. Antes da sua leitura, convém reafirmar o meu único propósito neste acto eleitoral: encontrar o projecto que melhor servisse e Guarda e com capacidade para iniciar um novo ciclo político. Destarte acabando com os bonzos e respectivas redes de influência e emprego. Elementos que ainda pervertem a vida pública na cidade e a transparência nas nomeações e nos procedimentos administrativos. Percebi que a candidatura de Valente reunia essas condições. E percebi também que a de Crespo de Carvalho estava condenada ao fracasso. As razões são várias. Lembro a não inclusão de temas fulcrais no debate político: o endividamento, o financiamento das autarquias, como captar investimentos, qual o modelo de desenvolvimento para a Guarda, com quem, etc. O seu programa e a sua mensagem não passaram de uma colecção de vacuidades, que poucos levaram a sério. Ninguém no PSD percebeu que o figurino de uma campanha para as autárquicas é diferente de outra campanha qualquer. Onde o sentimento de partilha de uma situação de proximidade, de desafios comuns, de pertença a determinada comunidade, são os sinais afectivos estruturantes de qualquer programa que se apresenta a sufrágio. O perfil da equipa liderada por Crespo de Carvalho mais parecia o de um grupo de amadores, "senhoritos" ao jeito ibérico, "cavalheiros" da indústria (?) sem fábricas, avessos ao debate, ao potencial da cultura como alavanca de desenvolvimento, à criatividade, à "política". pura e dura. No fundo, um modus operandi consentâneo com a característica vacuidade ideológica do PSD. Uma fatalidade, por muito que Pacheco Pereira reme contra a maré...
Vale agora a pena, en passage, despender algumas linhas sobre o BE (nacional e local). Como é sabido, trata-se de um partido que, organicamente, congregou grande parte da extrema-esquerda. Mas cuja expressão eleitoral há muito ultrapassou a sua marca genética. Cresceu amparando-se nos grandes temas da agenda política nacional e internacional. Seleccionado alguns deles para condicionar a agenda parlamentar do PS e do PCP, sem descurar o protesto "na rua". Tudo com o beneplácito da comunicação social, que escandalosamente o apaparicou de forma acrítica. Entretanto, a crise económica e social validou-o como partido oficial do protesto. Algo que os números expressivos que obteve nas últimas legislativas vieram dar corpo. Todavia, para um observador atento, tornou-se patente que esses números sinalizaram o tecto eleitoral do BE, o seu princípio de Peter. Com as autárquicas, a fragilidade e o carácter volúvel do seu eleitorado, da sua implantação, vieram ao de cima. Limitando-se a recolher o voto dos indefectíveis e afastando o "outro", o que votou no Bloco há três semanas. Que confia no BE como "megafone" reivindicativo, mas não como "aqueles" que vão alcatroar a estrada e reparar as condutas de saneamento. Para agravar o cenário local, o BE guardense prima pela ortodoxia e pelo aparelhismo do tipo Estalinista. Em vez de eleger temas onde, normalmente, o BE, na sua versão esclarecida, está mais à vontade - a cultura, os novos movimentos sociais, os costumes, as novas formas de determinação e inclusão/exclusão dos cidadãos - o seu cabeça de lista, Jorge Noutel, quis aparecer como o magnânimo "provedor municipal". O mesmo que declarou, em relação à cultura, que apreciava fundamentalmente ranchos folclóricos e bandas filarmónicas, sem uma palavra sobre políticas culturais no concelho, nem um gesto de simpatia para com as (poucas, mas activas) colectividades locais que "falam outra língua", nem uma intervenção que denotasse preocupações ambientais. Preocupou-se sobretudo em cativar, de forma populista, certos nichos eleitorais onde era previsível o Bloco penetrar. Todavia, ao evitar tudo aquilo que compõe a verdadeira modernidade, demonstrou porque é que o conservadorismo de esquerda é o mais nefasto de todos.
Portanto, Joaquim Valente ganhou e grande parte dos créditos do triunfo pode reivindicá-los pessoalmente. Espero agora que o PS local perceba que este reforço da votação traduz um conjunto de sinais inequívocos por parte do eleitorado. Um deles manda que se enterrem de vez as figuras de cera do "antigamente". O outro diz que se dê voz ao know how, às competências técnicas, humanas e profissionais dos guardenses, até agora, em grande medida, subrepresentadas. Outro ainda, mais ténue, que a cultura e o ambiente sejam temas prioritários na nova gestão. Será?

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sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Esmiuçar as músicas

Uma das vantagens de morar no centro, durante uma campanha eleitoral, é ficar a saber de cor as músicas utilizadas pelas várias comitivas para galvanizar a populaça, alinhadas no meio de soundbytes cada vez mais uniformes. Esses temas icónicos são generosamente difundidos através de algumas dezenas de decibéis. Bom, para começar, devo dizer que o solo de harmónica do hino do PSD é particularmente interessante. Anda ali mãozinha do Rui Veloso, com certeza. Digna de nota é a introdução coral, muito semelhante à de "All you Need is Love", dos Fabulous Four. A CDU insiste na "carvalhesa", um best seller medieval recuperado pelos comunistas para uso doméstico. À mistura com vozes megafónicas anunciando novas políticas, embora nunca se sabendo quais, graças ao conhecido efeito Doppler. O PS apostou na criação local. E fez bem. Quem consegue ainda ouvir os hits do Paco Bandeira? Quanto ao PP, esperava uma coisa mais arrojada, mais vanguardista, atendendo ao lema da campanha: F de Futuro. Ou até mesmo um solo de canto lírico registado no jacuzzi de Portas. Mas não, tudo ficou por um mix beato-pimba. O silêncio do BE é que me desiludiu redondamente. Esperava uns temas arab-funk e hip-hop incendiário pour épater les bourgeois... Pena... Será que não têm dinheiro para uma reles instalação sonora? Ou foi todo gasto em tranquilizantes para Louçã, dada a sua característica impulsividade verborreica ("segurem-me senão eu bato em todos!")?

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sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Muito mais gira assim...


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A obra foi ontem apresentada nesta cidade pela Agência para a Promoção da Guarda. Para além das fotografias e dos textos, contem uma nota introdução de Antonieta Garcia.
António Saraiva, responsável pela APG, esclareceu que esta edição vem na sequência de outras publicações através das quais têm “sido destacados factores identitários da nossa zona e fornecida informação para um melhor conhecimento da Guarda”. Para aquele gestor urbano, a nova obra tem a particularidade de oferecer uma perspectiva “bem interessante da Guarda e do concelho a partir do céu”.Imagens inéditas da Guarda, e de alguns dos seus mais expressivos monumentos, integram este livro, com edição bilingue.

Fonte: "Correio da Guarda"

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Então pronto...

Ainda bem cedo, aqui dei a entender que o sentido do meu voto nas eleições autárquicas que se avizinham seria uma decisão essencialmente racional, dada a abundância das dúvidas e perguntas por responder. A sua natureza seria pois a de uma escolha o mais esclarecida possível, independentemente do apelo da família política, digamos, "natural". Agora que já se conhecem os programas, as listas e os métodos de cada uma das forças em presença, decidi subscrever a candidatura de Joaquim Valente à Câmara da Guarda. As razões são essencialmente duas: 1º é aquela que, apesar das dúvidas que noutro momento suscitei e que mantive até agora, tem condições para protagonizar um novo ciclo político na cidade e, porque não, na região; 2º um segundo mandato do actual presidente da Câmara é a situação que melhor defende os interesses da Guarda, de acordo com as prioridades apresentadas.

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terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Sondagem


(...)
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço

Alvaro de Campos, O Que há em Mim É Sobretudo Cansaço

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terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Bailarico e carne assada

É de realçar a utilização intensiva das redes sociais pela candidatura de Joaquim Valente à Câmara da Guarda. Esta desmultiplicação por ferramentas de agregação como o Twitter ou o Facebook, entre outras, evidencia uma estratégia consentânea com o marketing político do momento. No entanto, não basta marcar presença nas redes, durante o período eleitoral, só porque é "moderno". Basta ir ao site oficial da campanha e perceber como, neste propósito, a informação se pode resumir a propaganda. Nem sequer o programa eleitoral, um manifesto, ou a composição das listas lá estão para consulta! Sim, porque ainda há algumas abencerragens, como é o caso do escriba, que gostam de ver esses "pormenores", antes de decidirem o sentido do seu voto.

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terça-feira, 25 de Agosto de 2009

A desilusão

Agora que estão definidas as listas e os programas das duas principais candidaturas à Câmara da Guarda, interessa definir uma posição face às eleições que se avizinham. Não sem uma advertência prévia: não disponho de informação privilegiada. Estar dentro e fora não é saudável. Coloco-me, pois, no patamar do cidadão comum, o que já não é pouco. Ora, ainda antes da pré-campanha, tinha neste texto colocado o que penso sobre a disputa eleitoral que se avizinha. Em resumo, a única expectativa razoável seria saber qual o programa e a composição da lista encabeçada por Valente, o mais que provável vencedor antecipado. Tudo o resto, incluindo a candidatura de Crespo de Carvalho, seria uma sucessão de fait divers, ou um alinhamento de notáveis para a pole position do próximo acto eleitoral. Nessa linha, cingir-me-ei à candidatura de Joaquim Valente. Esperava que, desta vez, ela trouxesse um corte radical com o passado tenebroso da gestão socialista da autarquia guardense. Que atolou a cidade num limbo de subdesenvolvimento, mediocridade, sub-investimento, compadrio, clientelas para favores e empregos. Que, do ponto de vista urbanístico, tornou a cidade irreconhecível, incaracterística, suburbana de si própria. Que obrigou a que a criatividade emigrasse e a inteligência se escondesse. Ou vice-versa. Valente dispunha agora do timing certo para cortar com a tralha que tanto mal causou à cidade. Depois da "evolução na continuidade" do 1º mandato, tinha agora a oportunidade de propôr um novo tempo para a Guarda. Porém, não o fez. Ou então, se assim o desejou, não foi convincente. Mesmo sabendo que, na Guarda, a política é a ilustração cabal da arte do possível. Algo que não isenta um político que se preze de forçar o impossível, por uma vez que seja. A minha pergunta de então foi assim agora respondida: mais "marcelismo" não, obrigado! Com prejuízo para o provável apoio expresso que o "Boca de Incêndio" iria conceder à candidatura. Abrindo uma excepção que, por agora, ficará para as calendas.

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quarta-feira, 29 de Julho de 2009

O desígnio

Soube-se, esta semana, que o cabeça de lista pelo PS no círculo da Guarda será Francisco Assis. O nome foi indicado pela direcção nacional do partido, após uma série de auto-nomeações a que Sócrates terá decidido pôr fim. Desta vez, percebeu-se o porquê da tradição da imposição, pelos directórios dos vários partidos, de cabeças de cartaz na Guarda. Ou seja, actores convidados para um palco que não é o seu e decorando um guião que nunca irão usar. E isto porque as estruturas locais abdicaram de apresentar nomes credíveis, que não resultem de uma cooptação numa sala fechada. Nomes onde pese a competência política, é claro, mas em que a estatura cívica e o dinamismo social não lhe sejam sacrificados. O que acontece, quase sempre, é a notoriedade afirmada em exclusivo nos aparelhos, a simples persistência ou os lances florentinos, virem a ser recompensados com uma sinecura parlamentar. Tudo se passa em circuito fechado. O cobiçado "veludo" passa de mãos em mãos, até que chega a altura de ser disputado. Nesse momento já alguém se apoderou dele sem apelo nem agravo. Portanto, para alcançar a elegibilidade, basta percorrer com êxito uma série de etapas, um conjunto de degraus ziquezagueantes que conduzem, quase de certeza, ao resultado pretendido. Repare-se que, neste processo, o mérito realmente político dos putativos candidatos pouco interessa, mas sim a sua competência "processual" para triunfar internamente. Não admira pois que, sobretudo no caso do PS, a direcção nacional recorra frequentemente aos serviços de figuras de topo, a necessitarem de rodagem e de uma tribuna episódica, para colmatar os Albanos que lhe são sazonalmente apresentados.
O acto eleitoral é o momento supremo onde a é manifestada a vontade contratual dos cidadãos em relação aos seus representantes. Historicamente, pelo menos em Portugal, houve sempre duas formas de adulteração dessa escolha: pelo lado da definição do universo eleitoral e pela subversão dos mecanismos da representação. A ilustrar o primeiro caso, basta referir o sufrágio censitário do liberalismo, a exclusão dos analfabetos da 1º república, pelo PRP, e a contingentação administrativa do recenseamento, durante o Estado Novo. O expediente destinava-se respectivamente, à exclusão dos elementos radicais setembristas, de modo a assegurar o perpétuo girar de cavalheiros das várias facções; à exclusão das massas rurais e do proletariado, afastando-se assim o voto católico e tradicionalista; à fixação de um eleitorado funcionalizado e obediente. Do outro lado, ressalta a inexistência de uma verdadeira responsabilização intuitu personae dos eleitos pelos seus constituintes. Seja qual for o modelo de contabilidade eleitoral seguido. Neste particular, a marcação de audiências periódicas onde os deputados recebem as reclamações dos eleitores do círculo respectivo, como acontece no Reino Unido, parece um cenário de ficção científica. Portanto, é tradição nacional a distribuição dos lugares ser tão errática como a diluição do vínculo representativo.
Francisco Assis estará pois na Guarda, durante a vileggiatura eleitoral. A abnegação com que se dispôs a aceitar o "desterro" é apropriadamente franciscana. Evidentemente, não é o político Assis que está em causa. Até porque demonstrou muita coragem, onde outros não a tiveram, no infâme episódio de Felgueiras. Até porque o próprio confessou a transitoriedade do seu desempenho, afirmando continuar o Porto a ser o seu centro político. Lamenta-se é a Guarda não ter mais nada que "oferecer" às instâncias partidárias decisórias, senão os melhores golpistas da temporada. Deparando-se os eleitores com uns ilustres (?) desconhecidos, recém-empossados em qualquer coisa, em busca da notoriedade pastosa das prebendas da pequena política. Encabeçados, precisamente, pela prestimosa "figura" de circunstância. Muito pouco, na verdade.

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sábado, 11 de Julho de 2009

Acabei de efectivar um post sobre a Guarda

Lendo alguns blogues locais e ouvindo algumas opiniões, parece que o exercício da crítica na Guarda se tornou um pecado, digamos, venial. Exigindo-se, implicitamente, uma consensualidade e uma auto-complacência que, normalmente, conduzem ao umbiguismo e ao definhamento adiado. A palavra "parece", que atrás utilizei, não foi por acaso. Claro que ninguém se coíbe de comentar episódios da vida pública. E nem é esse facto que está aqui em causa. O problema está a montante: na desinformação por vezes veiculada pela comunicação social local; na descontinuidade entre a opinião que se tem em privado daquela que, sendo o caso, se tem publicamente (isto porque não existe na Guarda um espaço público plural e esclarecido digno desse nome, prevalecendo a não inscrição de que falava José Gil); a tendência a pessoalizar o debate, onde isso não é de todo aconselhável. Houve uma verdadeira causa em que participei, nos anos da juventude na Guarda, ao lado de muitos outros: a afirmação da modernidade na cidade. Pelos vistos, duas décadas depois, o programa da altura continua a fazer sentido. Podia dar muitos exemplos, mas vou-me cingir a um, por sinal emblemático: o TMG. Na esmagadora maioria das cidades deste país, a existência de uma estrutura daquela qualidade e com uma oferta cultural da envergadura que se sabe, seria motivo de orgulho para todos. Mesmo discordando-se dos padrões dessa oferta. Pois o bom senso e algum brio levariam a concluir que, sem um TMG, a cidade ficaria muito mais pobre e, se calhar, muito mais triste. Na Guarda, infelizmente, não foi isso que sucedeu. Embora dotada de um objecto cosmopolita que a projecta, uma parte dela encara-o com desconfiança. Em parte, graças a uma minoria "qualificada", que o ataca não por razões plausíveis, i.e., discordâncias face ao modelo de programação ou determinado espectáculo, mas como argumento ao serviço da luta política, da concorrência empresarial, ou de simples interesses difusos e agendas pessoais. Ou seja, para alguns cidadãos, sejam eles anónimos ou figuras da vida pública, o TMG ainda não foi internalizado como património da cidade, estabelecendo-se à sua volta um módico de consensualidade e reconhecimento. Outros exemplos poderiam ser dados, como já referi. E todos eles conduziriam ao mesmo diagnóstico. Todavia, existem diferenças entre a forma como o obscurantismo e o ódio à moderninade se estrincheiravam na altura e agora. Se antes o clericalismo e o caciquismo eram alvos certos e cristalinos, agora oa agentes do subdesenvolvimento podem ser encontrados em qualquer lugar. Nuns mais do que noutros, é certo. Só que agora sobrevivem de /e alimentam os pequenos poderes, em lugares-chave, as clientelas renovadas, os sibilinos jogos de influências, as redes de branqueamento e de impunidade. Ou seja, antes actuavam como polícias da moral e agora como agentes de uma administração e de uma economia paralelas. Portanto, nesse acerto da cidade com a contemporaneidade, é caso para dizer: "a luta continua"...

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Imagens da Guarda

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domingo, 5 de Julho de 2009

O arraial

Ninguém porá em causa que, na Guarda, existe uma oferta cultural com bastante qualidade. Quer em termos absolutos quer relativos. Mormente aquela que chega por via do TMG. No entanto, apesar de alguma constância ao nível dos públicos, pesa ainda muito o lastro local da relativa ausência de hábitos regulares de fruição cultural e de uma massa crítica participativa e independente. Realidades estruturais que poderão ainda ser vistas sob outros formatos: a inexistência de uma intermediação crítica entre a imprescindível informação, que acompanha os espectáculos e o simples copy/paste dos press release com que os jornais "noticiam" a cultura. Falta pois o meio termo, que neste caso encerra uma virtude inigualável: indicia uma opinião pública descomprometida e esclarecida, mas que não receia sair das torres de cristal onde alguns iluminados se encerram; mostra os sinais de um espaço público dinâmico, sem receio do contraditório, em que várias verdades coexistem e se vão compondo com urbanidade e audácia.

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O teatro dos sonhos

1. Lusco fusco é um termo bem curioso, hermético e intraduzível quanto baste. Daqueles que põe a cabeça em água a um aprendiz da nossa língua, ou a alguém pouco familiarizado com ela . À primeira vista, assemelha-se mais a uma palavra romena ou, até mesmo, a uma cidade azteca. Tecnicamente, designa o período do crepúsculo nocturno. Todavia, parece prolongá-lo, estendê-lo amorosamente, até ao momento em que o dia se faz noite. Uma transição celebrada por poetas, músicos e entusiastas do sobrenatural. E que, embora seja tradicionalmente associada a um fim épico, também pode evocar o início de um ciclo. Ou seja, uma espécie de "raio verde" da luminosidade, onde o encantamento, o desejo ou a invocação formulada se podem prolongar, ao invés do que acontece no momento em que o último raio solar repousa sobre a terra.
2. A Associação Luzku-Fuzku é uma comunidade que desenvolve acções de ordem ambiental, holístico e inclusivo. Está sedeada na Quinta do Dionísio, junto à povoação dos Trinta, concelho da Guarda. Num local privilegiado, o que é dizer pouco. Ou seja, num recanto verdejante do curso do Mondego superior, a montante do açude do Pateiro, ladeado de catanheiros e choupos. No âmbito do projecto "Ecompanhamento", com início em 2008, promoveu a construção orgânica de um "Teatrinho em Fardos de Palha", para além de várias casas de banho e chuveiros ecológicos, de um Yurt e de um retiro em barro. Ora, esse pequeno teatro foi inaugurado no domingo, recebendo a designação de "Salamandra". O programa incluía um percurso pedestre, lanche, tertúlia e uma sessão musical, a cargo de Gustavo Delgado e João Pedro Delgado nos violinos. A actividade teve o apoio do TMG. O edifício, com cerca de 12 m de comprimento e 3 de largura máxima, foi construído com materiais orgânicos: palha, madeira e barro. As paredes são de palha e, no topo, de ripas de madeira. Logo que o vigamento do telhado esteja assente, a palha será rebocada com uma camada de barro, o que melhorará muito a acústica. No lado que dá para o rio, há várias aberturas que fazem lembrar as vigias de uma embarcação. O tecto, muito parecido com o das pequenas igrejas nórdicas medievais, é formado por placas de madeira sobrepostas. No topo do espaço destinado ao palco há um pequeno vitral. Por sua vez, os espectadores, sentados em fardos de palha com um saco de serapilheira em cima, estão dispostos ao longo das paredes, frente a frente. Embora pensado como teatro, o espaço terá, naturalmente, uma utilização polivalente. Podendo servir, para além de outros espectáculos, como local de reuniões, ateliers, projecção de audiovisuais, etc.

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quarta-feira, 10 de Junho de 2009

A carne é fraca

Como é habitual às sextas-feiras, hoje fui almoçar a um local, em Celorico da Beira, que funciona em regime de cantina. E onde só há, invariavelmente, dois pratos: carne e peixe. O sítio á agradável, come-se bem, é rápido e é económico. Pois bem, hoje a ementa era bitoque e carapau assado. Evidentemente que optei por dois sólidos espécimes do Trachurus trachurus, com molho à espanhola, umas batatinhas cozinhas und ein grosse grosse Salat. Quando me sentei, olhei em redor. Pois acreditem que, em toda a sala, era o único que tinha optado pelos carapaus! Tudo o resto era vê-los a deglutir o seu taralhoque com ovo e batatas fritas. Às tantas, já havia mesmo olhares suspeitos na minha direcção. O vinho (branco) tanbém não ajudava nada! Razões mais do que suficientes para me sentir um autêntico ET em horário de almoço. Até me apeteceu começar a fazer sinais esquisitos e emitir onomatopeias do outro mundo. Qual país de marinheiros, qual quê!? E o MEC a escrever livros sobre "a arte de bem cozinhar peixe em toda a banca"! Para quem, pá? Havias de estar hoje comigo a apreciar o panorama. Qual cozinha saudável e mediterrânica!!! Tretas para turistas!!! Qual nação de intrépidos nadegadores e bacalhoeiros!!! Dêem-nos mas é o bitoque e deixem-se de fantasias trendy!!!

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domingo, 31 de Maio de 2009

Crónicas da paróquia

Hoje fui almoçar a um local bem popular na Guarda. Agrada-me o sítio. Sobretudo pela qualidade da comida, pela decoração e ar vetusto. Mas no melhor pano cai a nódoa. Um feudalismo viscoso insinua-se no tipo de tratamento que é dado à clientela. Predomina a subserviência, medida pela "importância" dos comensais. Uma avaliação tão duradoura como o segundo mandato de Nixon, diga-se de passagem. Feita, ainda por cima, com requintes pícaros, à maneira popular: "este é o senhor dotor, mas no final vai desembolsar como gente grande!". É o farejamento e lambimento canídeo dos "dotores", dos influentes, do fulano de tal empregado na Câmara, que "nunca se sabe, ainda nos pode ser útil", dos sacos de ego portáteis, do "xenhor" Y do banco, "então e que tal, estava bonzinho?", mais uma lambidela, cheeeelp! e por aí adiante... Alguns dos senhores dotores são dos maiores filhos da puta lambe-botas com que já me deparei algum dia. Mas agarrados ao arrozinho, ou de volta das entradazinhas, são mesmo uns amorzinhos!... Claro que adoro ir a este local. Nem que mais não seja, porque é um mostruário do socialite guardense. Saio de lá sempre inspirado. E sabem que mais? Lá sou tratado com uma deferência natural, sem excessos deletérios, nem bajulações invasivas. Não estou na classe dos importantes, nem dos "dotores e engenhêros", nem dos mangas de alpaca sazonais. Sou o "gajo esquisito do teatro e dos jornais", que "escreve umas coisas e é melhor que não seja sobre nós", "vai lá almoçar sempre com uma gaja diferente". Portanto, "o melhor é tratá-lo bem", antes que, nunca se sabe... "antes que o chamemos também por dotôr"...

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segunda-feira, 25 de Maio de 2009

O programa

Há cenários onde é aconselhável deixar um comentário breve e antecipado. Eis um exemplo. Já não falta muito para as eleições autárquicas serem tema de fundo na Guarda. Altura pois para um ponto da situação. Quanto ao enredo, ele está praticamente definido, não se prevendo surpresas de maior. Ou seja, quase toda a gente já percebeu que, se não cometer nenhum deslize de última hora, Joaquim Valente será reeleito para um segundo mandato à frente da Câmara guardense. E com uma legitimidade acrescida para poder executar o programa com que se propõe ao eleitorado. O candidato do PSD, Crespo de Carvalho, não irá certamente descolar de uma posição underscore até ao sufrágio. E qual será o guião para este espectáculo? Ou seja, que projecto político está em causa na sua candidatura? Qual será o teor das propostas de Valente? Que visão para a Guarda? Mais do mesmo? A audácia própria de um segundo mandato? Que estratégias? Que prioridades? Que recursos disponíveis? Que plano para mobilizar a cidade? Qual a equipa que o irá acompanhar? São essas e só essas as questões por que vale a pena esperar.

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quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Assim não...


Comemorou-se ontem o 102º aniversário da fundação do Sanatório Sousa Martins. Entretanto, a degradação tomou conta de um património edificado e natural que outrora foi a imagem de marca da cidade. No "Correio da Guarda", Helder Sequeira (autor da foto) uma vez mais adverte para a gravidade da situação e a indiferença das entidades responsáveis. O texto chama-se precisamente "A agonia dos centenários pavilhões do Sanatório". Onde pode ler-se: no Parque da Saúde vão agonizando os antigos Pavilhões D. Amélia e D. António de Lencastre; a Guarda corre o risco de perder uma património ímpar e uma parcela da sua própria história, da história de uma instituição que a projectou dentro e fora das fronteiras nacionais...

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quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Informação

A webpage do Cineclube da Guarda foi redireccionada para o blogue homónimo, recém-criado. As vantagens da sua utilização são óbvias: maior interactividade, versatilidade e possibilidade de actualização em tempo real. O novo espaço está ainda em fase de construção. Todavia, convido desde já os leitores a fazerem uma visita. Está aqui, podendo ser acedido também através deste sidebar.

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quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Imagens da Guarda

O passeio

Hoje transferi a caminhada aeróbica quase/diária para a cidade, em vez do parque de Rio Diz. Momento perfeito para reactivar memórias, recolher impressões digitais de um tempo que acabou. O tempo em que a Guarda tinha "rua", tinha uma "proximidade" aconchegante, tinha uma convivialidade natural, espontânea, tinha cafés carismáticos, inspiradores, tinha tertúlias acaloradas, uma irreverência imprescindível, um pulsar colectivo que se sentia, uma leveza que fazia esquecer a solidez e a asfixia do granito. Hoje, infelizmente, a cidade não tem "rua". Funciona como um centro de dia, animada pelos serviços e algum comércio. E nem mesmo os arranjos no "mobiliário" urbano conseguem disfarçar uma urbanidade degradada, bisonha. Seria de esperar que, numa cálida noite de Primavera, se vissem pessoas na rua, disponíveis, com tempo. Que houvesse um "cheirinho" de civitas no ar. Mas não! Nos cafés, todos com os olhos pregados na TV. Imagino que assistindo a mais uma transmissão de futebol. Nas artérias principais, três pessoas a falar ao telemóvel, dois casais com ar de forasteiros e um polícia a torcer o bigode. And that's all, folks. Duas notas finais. Dei conta da existência de uma lavandaria self service, uma novidade absoluta... Por outro lado, na Praça Velha, deparei com várias filas de estudantes do IPG, munidos de um papel. Pareciam as filas para o check in no aeroporto de Lutton, em Londres. Ou uma flash mob de circunstância. Todavia, imagino que não passe de mais uma praxe ou coisa que o valha. Segui caminho, para não me desapontar...

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quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Esclarecimento

Há dias perguntaram-me se o "Boca de Incêndio" era um blogue guardense. E, em acaso afirmativo, porque não insistia mais em temas locais, ou coisa que o valha. A resposta é clara: aquele não é nem nunca foi um blogue local. E não julguem que este traço genético acontece por encontrar algum demérito naqueles que o sabem ser com qualidade e pertinência. Longe disso. A prová-lo, remeto para o que escrevi no texto "Blogues da Terra", a propósito de uma polémica listagem de weblogs regionais editada no "Arrastão". Para uma melhor compreensão destas razões, leia-se também o texto seguinte sobre este assunto e ainda uma explicação breve do que, para o escriba, significa "pertencer" a determinado sítio. Uma espécie de GPS legendado com as devidas coordenadas intelectuais e ontológicas. Regressando ao tema principal do post, direi que, naquele espaço, falar-se-á sobre questões locais sempre que, por ser a Guarda o terreno mais próximo, ele confinar com os terrenos mais caros ao escriba. Ou seja, sempre que a condição de cidadão do mundo passe por ser cidadão da Guarda. Mas nunca definindo um centro, quer na forma quer nos conteúdos. Exemplificando: se por qualquer razão destaco um acontecimento artístico, cívico ou até mesmo de ordem pessoal com incidência local, tal quer dizer que essa menção é independente do local onde ocorre,. O seu interesse é universal, mas sem que seja descartado o seu significado local. Aliás, como poderão comprovar, todas as postagens com temas exclusivamente locais aí editadas são depois reunidas no blogue "Guarda Nocturna". Este sim, um espaço assumidamente local. De resto, existem títulos na blogosfera que desempenham essa função muito melhor do que eu alguma vez conseguiria. Alguns deles estão precisamente listados aqui ao lado.

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Imagens da Guarda

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