terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Balanxo 2010

À semelhança dos anos anteriores, Américo Rodrigues, autor do blogue "Café Mondego", convida várias figuras a escrever uma espécie de balanços sobre o que na Guarda se passou no ano transacto. Os "balanxos" são depois reunidos e editados no blogue. Este ano, o meu foi assim:

(...) não se espere um rol exaustivo e ordenado de acontecimentos. Para isso, já existem os jornais e as rádios. Ficar-me-ei pela pincelada instaladora das sobras da memória. E à maneira dos mensageiros militares romanos, ciosos da permanência de uma cabeça sobre os ombros, comecemos pelas más notícias:
- o fecho anunciado da Delphi
- a descoordenação e incompetência evidenciada pela Protecção Civil em dias de neve
- a inexistência de jornalismo de investigação e equidistante dos poderes
- a continuação das admissões de pessoal na Câmara Municipal, após o início oficial da austeridade
- o desmazelo urbanístico que tomou conta da cidade
- a permanência de um Quasímodo ignorante e prepotente na Sé, a que alguns chamam “guia”
- a continuação no papel da Alameda da Ti Jaquina
- o tratamento noticioso dado aos chamados “gangues” da Guarda
- o definhamento do IPG
- a “inauguração” do Museu de Arte Sacra
- a morte lenta do Centro Histórico, em particular da Praça Velha
- a degradação imparável de uma das alas do antigo Convento de S. Francisco
- o adiamento da Plataforma Logística
- a continuação da incapacidade em fixar competências e vocações na cidade
- o estado comatoso de boa parte da classe política local, ao prestar-se a colocar o órgão máximo do município no grau zero da dignidade, por via da inqualificável aprovação de um voto de repúdio, por delito de opinião, contra um cidadão que nem sequer foi ouvido.
Agora as boas:
- as obras do novo Hospital a bom ritmo
- a nova rede de transportes urbanos
- a reconversão do Hotel Turismo em escola de hotelaria
- a criação de uma Unidade de Limpeza de Neve, por instâncias do Governador Civil
- o funcionamento razoável da Biblioteca Municipal
- os “Passos à volta da memória”, visitas encenadas ao centro histórico, durante o Verão.
- a mega-produção “Guarda: a República”, no palco do TMG em Novembro.
- a capacidade dos guardenses de enfrentar os desafios e ousar sonhar sem esperar que outros o façam.
Sobra a nova simultaneamente péssima (para alguns) e tonificante (para larguíssimas minorias)
- o TMG continua a dar cartas e baralhar de novo.

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Informação

A webpage do Cineclube da Guarda foi redireccionada para o blogue homónimo, recém-criado. As vantagens da sua utilização são óbvias: maior interactividade, versatilidade e possibilidade de actualização em tempo real. O novo espaço está ainda em fase de construção. Todavia, convido desde já os leitores a fazerem uma visita. Está aqui, podendo ser acedido também através deste sidebar.

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Esclarecimento

Há dias perguntaram-me se o "Boca de Incêndio" era um blogue guardense. E, em acaso afirmativo, porque não insistia mais em temas locais, ou coisa que o valha. A resposta é clara: aquele não é nem nunca foi um blogue local. E não julguem que este traço genético acontece por encontrar algum demérito naqueles que o sabem ser com qualidade e pertinência. Longe disso. A prová-lo, remeto para o que escrevi no texto "Blogues da Terra", a propósito de uma polémica listagem de weblogs regionais editada no "Arrastão". Para uma melhor compreensão destas razões, leia-se também o texto seguinte sobre este assunto e ainda uma explicação breve do que, para o escriba, significa "pertencer" a determinado sítio. Uma espécie de GPS legendado com as devidas coordenadas intelectuais e ontológicas. Regressando ao tema principal do post, direi que, naquele espaço, falar-se-á sobre questões locais sempre que, por ser a Guarda o terreno mais próximo, ele confinar com os terrenos mais caros ao escriba. Ou seja, sempre que a condição de cidadão do mundo passe por ser cidadão da Guarda. Mas nunca definindo um centro, quer na forma quer nos conteúdos. Exemplificando: se por qualquer razão destaco um acontecimento artístico, cívico ou até mesmo de ordem pessoal com incidência local, tal quer dizer que essa menção é independente do local onde ocorre,. O seu interesse é universal, mas sem que seja descartado o seu significado local. Aliás, como poderão comprovar, todas as postagens com temas exclusivamente locais aí editadas são depois reunidas no blogue "Guarda Nocturna". Este sim, um espaço assumidamente local. De resto, existem títulos na blogosfera que desempenham essa função muito melhor do que eu alguma vez conseguiria. Alguns deles estão precisamente listados aqui ao lado.

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sábado, 18 de outubro de 2008

Zincos

A convite do Galo, mentor do blogue "Zincos", a partir de hoje sou mais um editor deste espaço aberto e promissor. Um ciberzincos herdeiro do outro, o que fez história, a escola da noite de três gerações, a caverna onde as sombras só apareciam à saída, enquanto a luz se ia cozinhando lá dentro, sim, o balastro ignidor, o tapume da inquietação, uma capela em honra da névoa que se quer antes mas não depois, uma capela escavada e não erguida, o lado B da cidade, a fábrica de aranhas, com um eco fantasmagórico de Tom Waits nas entrelinhas, o fumo embutido na BD do "Torpedo", lá atrás, o último copo que nunca era o último, o anúncio da festa, os maus hábitos e as falsas surpresas, esse mesmo, o tal. Ainda. "Olha, por cá? Quem diria?" Aqui.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

U qui diz mulelo

Tomei conhecimento, por terceiros, de que um obscuro blogue da Guarda, certamente com problemas de audiências, me "dedicou" um autógrafo e uma caricatura. Ups! E logo sem avisar! O autor teria sido um "fotógrafo" recentemente premiado, que não gosta de ser criticado e de que já esqueci o nome. Ficará a lembrança da sua credibilidade nula, enquanto cidadão e blogger.

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terça-feira, 1 de julho de 2008

Notícias da blogosfera

A blogosfera guardense está em fase estacionária. Não sei se por a web social lhe estar a roubar audiências. Não sei se por causa do abrandamento generalizado do boom blogosférico. Mais perto andaria da verdade se dissesse que a iliteracia funcional que paira sobre a cidade, o triunfo em toda a linha da "vidinha" e o absentismo em relação à acção individual publicamente determinada, ao debate, ao confronto de ideias, à crítica, prejudicam o aparecimento de uma blogosfera pujante, activa e capaz de se unir pontualmente em prol de causas comuns. Portanto, os destaques que aqui farei não se referem propriamente a novidades, mas a confirmações de propostas ou de evoluções positivas da mesma "marca". Pois bem, na área da divulgação cultural, o relevo vai todo para o incontornável "O Homem que sabia demasiado", da autoria de Victor Afonso. Um blogue para quem não quer perder muito tempo e manter-se informado sobre o que vai acontecendo, sobretudo no panorama audiovisual. Nota-se uma constância notável, medida ao longo do tempo. Um local onde a profundidade da análise cede lugar à pertinência, seguindo a tendência dos media tradicionais. Na área da política, saliento "O Egitaniense". Um espaço que me equivoquei ao encará-lo como credível. Sobre notícias com impacto local, destaco a regularidade e a fluidez do "Acidademaisalta". Por outro lado, juntando esses atributos à divulgação do património e das tradições, por via de um naipe de colaboradores de grande qualidade, aconselho o "Capeia Arraiana". Na categoria dos "clássicos", saliento o "Café Mondego", escrito por Américo Rodrigues. Que mantem a regularidade e a discrição a que nos habituou desde a primeira hora. Por outro lado, o "Filosofia de Curral", de Sérgio Currais, sofreu uma evolução francamente positiva. Ao transformar-se de um lugar tímido e esparso num espaço cheio de humor. Onde perpassam os temas favoritos do autor, por via do comentário curto, por vezes desconcertante, outras deveras incisivo, de uma pose nonchalant e do recurso ao absurdo.

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quinta-feira, 27 de março de 2008

Aviso à navegação

A partir do final deste mês, vou estar também em nova casa. Chama-se "tábua de marés" e será, espero, um espaço pessoal de liberdade poética. Que, por enquanto, ainda está em fase de teste. Até porque as funcionalidades da plataforma do Sapo, onde está alojado, permitem uma formatação do layout de forma personalizada, criativa e "amigável". Se por lá passarem, perceberão o porquê desta migração incompleta. O que quer dizer que o "Boca de Incêndio" não chegou ao fim, nem ficará em stand by. A esse propósito, os leitores poderão ficar tranquilos ou, quem sabe, desapontados. As postagens serão mais espaçadas e o blogue mais centrado em questões ligas à res publica. Até ver. O "Guarda Nocturna" mantem o figurino. A condição blogosférica ainda é, que se saiba, intermitente. Precisamente porque há mais marés do que marinheiros.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Notícias da blogosfera

Victor Afonso acaba de iniciar (adoro estes trocadilhos semânticos) o seu blogue, intitulado "O Homem que Sabia Demasiado". Trata-se de um espaço claramente pessoal, onde são divulgadas as afinidades electivas do autor, no domínio do cinema e da música. Como já esperava, a informação é transmitida de forma clara e esclarecida. Como que a atenuar a simples "parcialidade" do gosto. Em resumo, uma boa notícia para os cinéfilos e melómanos e um sinal mais na blogosfera guardense.

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terça-feira, 25 de setembro de 2007

A censura continua

Na sequência do que foi aqui anunciado, a Câmara Municipal da Guarda mantem a restrição ao blogger, na rede que disponibiliza nos espaços internet de que é gestora. Pude verificar isso mesmo pessoalmente. Ora, se há pessoas que, naquela instituição, convivem mal com a crítica e a apreciação da opinião pública, o problema é exclusivamente delas. Não deviam era estar onde estão. A questão está em que, objectivamente, por mera retaliação e espírito de capelinha, estão a impedir o acesso do público a um meio de comunicação e informação imprescindível no mundo de hoje: os blogues. Promovendo estes espaços, a CMG presta um serviço público universal. Todo o tipo de restrições praticadas, com excepção das que dizem respeito à protecção dos menores em relação a determinados conteúdos, caem na alçada da ilegalidade.

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segunda-feira, 5 de março de 2007

Curtas

Manuel A. Domingos, professor e poeta de Manteigas, é autor do blogue Meia Noite Todo o Dia. Descoberta recente e cúmplice. Trata-se de um espaço essencialmente literário, onde o Manuel publica textos seus, pequenas recensões, crítica de espectáculos e divulgação de edições e eventos literários. Além disso, remete para um outro blogue do mesmo autor -Versões - onde são publicados poemas traduzidos pelo próprio, a partir sobretudo de autores hispânicos e anglo-saxónicos. Destaco este belíssimo excerto de A luz surge onde nenhum sol brilha, de Dylan Thomas (1914-1953):

A luz surge onde nenhum sol brilha…
A luz surge em lugares secretos,
Nos limites do pensamento, onde o seu aroma surge sob a chuva;
Quando a lógica morre,
O segredo da terra cresce através dos olhos,
E o sangue jorra do sol;
Sobre os campos destruídos, a madrugada detém-se.

Mais um favorito, a partir de agora, no Boca de Incêndio. O gosto será nosso.

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domingo, 4 de março de 2007

Dogville

Ao que tudo indica, o blogue "Guarda Mal" acabou os seus dias. Muitos guardenses, nos quais me incluo - e não só - tinham-se habituado a reconhecer neste espaço uma lufada de ar fresco no quietismo acrítico que domina a vida da cidade. Um autêntico serviço público. Num exercício atento e informado, o blogue foi dando a conhecer aos cidadãos aquilo de que uma imprensa local geralmente domesticada e medíocre não fala. Nas pequenas cidades como esta, existe frequentemente um pacto social invisível, que vai preservando a mentira até onde pode. Mais: dá azo a que essa mentira paire como um manto regulador, como a única estratégia de sobrevivência, como um dogma, como uma regra a que não se pode fugir. Esta espécie de suave omertá tem efeitos devastadores para o verdadeiro crescimento da cidade.
A medida da importância do blogue pôde ser medida pelo tipo e intensidade das reacções adversas que desencadeou e que acompanhei: de casta, corporativas, de feudos, etc. Comum a todas elas, o ódio à existência de um verdadeiro espaço público, um fórum transparente, um denominador mínimo comum e tendencialmente neutro onde as questões respeitantes à urbe se discutam com clareza e com coragem. No fundo, o ódio à tal inscrição de que falava José Gil, em "Portugal, o medo de existir".
Por ele passaram em revista questões incómodas como a mediocridade generalizada e a falta de qualidade do ensino no IPG, as tentações populistas da "classe" política local, a ineficiência e amadorismo do NAC, o completo desnorte e incompetência da actual direcção camarária em matérias como o investimento público, a captação do investimento privado, de modo a fazer frente aos baixíssimos níveis de ocupação da economia local, a ausência de uma estratégia turística e de imagem para a cidade, a debilidade política do actual presidente, subalternizado às agendas políticas dos seus congéneres de Viseu e da Covilhã, o patético site da CMG, a inacreditável exposição das T shirts de Alves Ambrósio, a fulminante elevação de Luís Filipe Reis a símbolo da cidade, a insólita endogamia ao nível dos funcionários da Câmara, etc.
Pela minha parte, embora pontualmente em desacordo com algumas análises, e admitindo a existência de uma hidden agenda por detrás, insisto que foi com todo o mérito que o blogue se tornou uma referência no débil espaço público da cidade. Cuja efemeridade se lamenta, embora se compreenda.

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Passeando na blogosfera guardense

Fui espiolhar a blogosfera egitaniense. E não é que apanhei algumas surpresas, convenientemente graduadas pelo interesse que suscitaram! Passemos então à degustação, começando pelas entradas: "Sobre(o)viver", de Júlio Seabra. Aí se pode encontrar um texto intitulado "Guarda com horizontes". Um panegírico que fala por si:
Em menos de um ano de mandato de Joaquim Valente, os egitanienses já viram tornadas realidade algumas propostas assumidas sob palavra de honra, que este assumiu no seu manifesto autárquico, aquando da sua eleição a 9 de Outubro de 2005. (...) Joaquim Valente sabe da importância destas premissas, a nível interior e exterior, e tem apostado, com sucesso, na realização de acções culturais, recreativas e desportivas, que dão mais vida à cidade e ao concelho. (...) Veja-se aqui o resto.
Provadas que foram as entradas, alguns apontamentos:
1º O autor devia ser contratado para relações públicas da Câmara, ou, no mínimo, escrever os editoriais do seu Presidente nas habituais folhas de propaganda. De que é que está à espera, sr. Engenheiro?;
2º deve com certeza haver uma relação - tão óbvia que me escapa - entre o Mundialódromo (?), a Volta a Portugal, a animação de Agosto e a descida da taxa de desemprego ( segundo dados do Director do IEFP-Guarda, reproduzidos num jornal local e sem confirmação por outras fontes). Já para não falar na subida dos níveis de auto-estima, medidos à saída dos espectáculos das Festas da cidade por uma equipa de psicólogos amadores orientados pelo Prof. Karamba (o tal que anda aí a distribuir papelinhos nos pára-brisas, garantindo expeditivo remédio para um sem fim de maleitas, desde dor de corno a hemorróidas);
3º A tal animação deve ter sido um êxito, mas então não percebo como é que, num dia à noite que passei pela Praça Velha no momento em que estava ser projectado um filme na Mediateca, o público se resumia ao técnico e a duas funcionárias da Biblioteca;
4º Em qualquer tempo e lugar há sempre quem se dedique às prestimosas apologias da"situação". O wishful thinking é sempre o mesmo: vá lá, todos juntinhos em volta do chefe, ele está cheio de ideias para nós, ele vai salvar-nos, cerrem fileiras com "intervenção verbal e física", ou com "palavras optimistas e com novos horizontes". Sejamos claros: também penso que a Guarda necessita urgentemente de uma estratégia de desenvolvimento ambiciosa, de uma imagem. Não acredito é que estas realidades se atinjam com unanimismos, mas com consensos entre quem pensa de modo diferente. Se assim não fôr, corre-se o risco de as opções políticas a tomar serem permanentemente bloqueadas e que contributos críticos iconoclastas sejam catalogados como discurso pessimista. Se assim não fôr, está aberto o caminho ao carreirismo e ao grau zero da política.
Ainda nas entradas, apareceu um prato chamado "Do alto da serra". Trata-se de um blogue marcadamente pessoal e de inspiração territorial (não confundir com regional). Revelam-se os gostos do autor - gastronomia, viagens, acontecimentos populares, Tony Carreira, Festival Jovem da Canção Religiosa e, acima de tudo, Festas da Cidade. Neste ponto, o "guardador de rebanhos" revela uma irreprimivel satisfação pelo retorno das Festas ("o regresso às origens, ao que era bom") salientando que "o povo anda contente" por aqueles dias. Aproveita então para lançar uma farpa assassina ao TMG, lembrando o "buraco que cavou em ano e meio". Adivinhando-se a juventude do Autor, e até algum esclarecimento, é arrepiante observar a fixação pelo gosto mediano, para não dizer pimba.

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